Postado por: Bruno Oliveira quinta-feira, 10 de julho de 2014



Essa é mais uma coluna do blog. Tal qual a Brasilivros que conta a história de clássicos literários brasileiros, divididas nas regiões, o Volta ao mundo em 80 livros contará a história de vários livros (clássicos ou não) nos mais diversos países. A ideia é que sejam oitenta livros, como diz o título baseado na grande obra de Júlio Verne, mas vai que passe dessa meta...


França, 1943
Antoine de Saint-Exupéry
O Pequeno Príncipe


Sinopse: O Pequeno Príncipe, devolve a cada um o mistério da infância. De repente retornam os sonhos. Reaparece a lembrança de questionamentos, desvelam-se incoerências acomodadas, quase já imperceptíveis na pressa do dia-a-dia. Voltam ao coração escondidas recordações... O reencontro, o homem-menino.

Resenha:


Esta é uma das obras primas da literatura francesa e mundial, é uma combinação perfeita de simplicidade e profundidade. Capaz de atingir qualquer público de qualquer idade, com intensidade e foco diferente, que permite que a história seja única para cada leitor. Basicamente o livro convida o leitor para uma viagem de volta a infância, em todo os seus mistérios e simplicidade, com foco nos valores que realmente importam. O livro é cheio de metáforas e pensamentos filosóficos, sendo necessária a capacidade de "ler além das linhas". Logo no começo do texto, o autor nos alerta sobre a necessidade dessa leitura crítica com a curiosa figura:

“Mostrei minha obra-prima às pessoas grandes e perguntei se o meu desenho lhes fazia medo. Responderam-me: <<Por que é que um chapéu faria medo?>>. Meu desenho não representava um chapéu. Representava uma jibóia digerindo um elefante. Desenhei então o interior da jiboia, a fim de que as pessoas grandes pudessem compreender. Elas têm sempre necessidade de explicações.”
É importante dizer que, pelo menos no início a narrativa é feita por um piloto de avião que já apresenta suas frustrações da infância, em todo o livro, não há menção ao nome do aviador ou figuras, o que nos faz entender que o piloto possa ser o próprio autor. No início da narrativa ele conta da ocasião em que houve pane no sistema do avião e cai no meio do deserto, solitariamente. E na desenfreada luta por consertar o avião e sobreviver as intempéries do deserto, ele conhece o pequeno príncipe, que logo pede-lhe o desenho de um carneiro. O aviador tenta diversos desenhos mas nenhum satisfaz o príncipe, até que resolve fazer o seguinte desenho:

E nesse ponto, o aviador identificando sua infância no pequeno príncipe, começa diálogos sutis, simples mas profundamente belos e robustos. Em um dos dias de conversa, postaram-se a falar de coisas sérias, o Príncipe queria saber porque as rosas tem espinhos se não adiantava contra os carneiros, o aviador ocupado com o trabalho no avião, nem deu bola, e houve a seguinte réplica do príncipe:
“Há milhões e milhões de anos que as flores fabricam espinhos. Há milhões e milhões de anos que os carneiros as comem, apesar de tudo. E não será sério procurar compreender porque perdem tanto tempo fabricando espinhos inúteis? Não terá importância a guerra dos carneiros e flores? Não será mais importante que as contas do tal sujeito? E se eu, por minha vez, conheço uma flor única no mundo, que só existe em meu planeta, e que um belo dia um carneirinho pode liquidar num só golpe, sem avaliar o que faz, - isto não tem importância?”
Aos poucos, o pequeno príncipe vai contando de onde veio (um pequeníssimo planeta em algum lugar do universo), o que faz, o que já viveu, e aos poucos vai comovendo o piloto e o público. O príncipe vai contando suas aventuras em outros planetas e cada um trás uma lição de vida espetacular para o piloto e para os leitores. Outro ponto interessante do livro, é que há diversas gravuras (aquarelas do próprio autor) que dá um ambiente diferente para a história e nos ajuda a entender melhor as passagens.
O Pequeno Príncipe é um livro muito bom, curto e de fácil leitura, permite muitas reflexões sem ter que usar vocabulários rebuscados ou trazer conteúdos complexos. Consegue fazer o leitor se identificar facilmente com as conversas, além de possuir frases muito marcantes. Suas palavras possuem um efeito muito positivo em quem as lê, e não raramente as pessoas releem diversas vezes essa obra.

Principais citações:
 Durante todo o livro o Pequeno Príncipe fala sobre a insistência dos adultos em ser pessoas sérias, perdendo todo o sentido de emoções, perdendo a imaginação e as coisas verdadeiras da vida. Mostra como super valorizamos o dinheiro, complicamos as coisas simples, nos achamos superiores por não termos tempo para bobeiras infantis como entender o desenho de um menino e damos tanto peso aos números que tudo tem que ser contado e recontado. 
“- Levantei-me num salto, como se tivesse sido atingido por um raio. Esfreguei bem os olhos. Olhei ao meu redor. E vi aquele homenzinho extraordinário que me observava seriamente. Eis o melhor retrato que, passado algum tempo, consegui fazer dele.” – Aviador, ao encontrar o pequeno príncipe pela primeira vez.


“- É preciso exigir de cada um o que cada um pode dar - replicou o rei - A autoridade se baseia na razão. Se ordenares a teu povo que ele se lance ao mar, todos se rebelarão. Eu tenho o direito de exigir obediência porque minhas ordens são razoáveis. “ – Um dos habitantes de um dos planetas visitados pelo príncipe.

“Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê o bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos [...] Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas [...] Se tu vens às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz” – Trechos do diálogo entre a raposa (um dos personagens mais icônicos do livro) e o príncipe.

"Poucas pessoas se ocupam de coisas que não sejam si mesmas.""Só conheço uma liberdade, e essa é a liberdade do pensamento."" É loucura odiar todas as rosas porque uma te espetou" – Algumas reflexões do pequeno príncipe

5 ESTRELAS

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